Terça-feira, Novembro 28, 2006

Porto!

Quinta-Feira, 23 de Novembro de 2006
Guarda (bem o teu tesouro)*


Saímos de Lisboa em direcção à forte, farta, fria, fiel e formosa Guarda. Chegámos por volta das cinco da tarde a uma cidade escura, com muito nevoeiro. Seguimos directamente para o T.M.G. (Teatro Municipal da Guarda), um edifício moderno, de linhas rectas e muito vidro. Havia algum nervosismo entre nós, afinal esta era a primeira sequência da segunda fase do documentário. O café-concerto do T.M.G. é uma sala rectangular, grande, com paredes brancas e mesas quadradas pretas, cada qual com quatro cadeiras. Do lado direito há um balcão a todo o comprimento da sala, do lado esquerdo uma enorme janela e ao fundo, um palco baixo.
Às dez e pouco, a maioria das mesas já estava ocupada e os empregados cirandavam para cá e para lá a atender pedidos. Em cima do palco, Nuno Prata, Nicolas Tricot e António Sérgio apresentavam o álbum a solo de Nuno Prata: Todos Os Dias Fossem Estes/Outros. Foi um bom concerto, descontraído e animado.
Depois de tudo filmado, a equipa descansou, bebeu um fino e despediu-se dos músicos.


Sexta-Feira, 24 de Novembro de 2006

Alerta Laranja

O plano era acordar cedo e sair à procura de um bom local para filmar a serra. Depois do pequeno-almoço aventurei-me a uma volta a pé pela cidade mas a aventura durou cerca de um minuto e meio porque o vento gelado e a chuva intensa não permitiam qualquer actividade pedestre. Ainda assim, com as malas dentro dos carros, saímos à procura de um local para filmar e filmámos, debaixo de chuva, vento e frio suficiente para desistirmos dos planos de exteriores e seguirmos viagem para o Porto.
Enquanto atravessávamos o país em alerta laranja, vimos árvores caídas do outro lado da IP5, ouvimos na rádio um senhor de voz grave a anunciar diligentemente todos os troços de estradas nacionais cortadas e as inúmeras inundações aqui e acolá.
- Chegámos ao Porto - disse o Filipe, mas do cimo da ponte do Infante só se avistavam as luzes dos carros mais próximos, nada de Douro, nada de Invicta, nada de nada, tudo branco. Porém, do décimo quarto andar do hotel onde ficámos instalados, a vista era soberba. Lá em baixo toda uma cidade em alvoroço: os trabalhadores civis corriam de um lado para o outro com os seus oleados cor de laranja, pessoas encharcadas travavam com guarda-chuvas uma luta inútil, outras corriam pelos passeios de saco de plástico enfiado pela cabeça abaixo e à minha altura, mesmo à minha frente, uma gaivota voava contra o vento mas continuava no mesmo sítio. Pensei: pobre coitada, vai ser empurrada contra o edifício! Eu não podia fazer nada, ou melhor, podia abrir a janela e deixar as monumentais rajadas de vento irromper quarto adentro, na remota hipótese que a gaivota compreendesse a cumplicidade do meu gesto e tivesse a sorte de ser lançada contra a única janela aberta do hotel. Mas não, limitei-me a ficar ali alguns minutos a torcer por ela e a admirar a sua resistência até ter a certeza que se safava.

Entrevista I - Manel Cruz

Às cinco da tarde estávamos à porta da casa do Manel Cruz. Fomos muito bem recebidos, com café, afins e ainda uma óptima banda sonora da autoria de Alfredo Teixeira. Preparámos o plano que meia hora mais tarde foi denominado pelo Vasco de plano de um homem dividido entre a música e a ilustração. A entrevista correu bastante bem.
Fim do dia de rodagem.

Seguiu-se o jogo de bilhar, as francesinhas e a fria noite portuense com a clássica passagem pelo Piolho.


Sábado, 25 de Novembro de 2006

Sorte Macaca

O temporal acalmou e deu lugar ao sol.

Entrevista II - Nuno Prata

Às três da tarde encontrámo-nos com Nuno Prata no jardim. Filmámos a entrevista com um pano de fundo outonal de folhagem amarelada, crianças a brincar, casais a passear e miúdos a jogar à bola, tal e qual como tínhamos imaginado. No final da entrevista e a nosso pedido, Nuno cantou-nos uma das suas canções, ali no meio do parque infantil, sob um frio de rachar. Assim que acabámos, começou a pingar.

Entrevista III - Peixe

Aquecemo-nos no café com chá preto e galão. O ponto de encontro era às cinco da tarde em casa do Peixe. Fomos recebidas ao som de Chico Buarque, Cala a boca, Bárbara. Preparámos a luz e o plano. A meio da entrevista começou a trovejar, pois claro, ou não fosse esta uma rodagem que atrai condições climatéricas adversas.

E foi assim que chegámos ao fim da sequência do Porto.



*título de uma das canções de Nuno Prata em Todos os Dias Fossem Estes/Outros