"We have a tradicional music in Portugal, its called Fado, and it requires silence" *
"Eu tenho um sonho doirado
Sonho que a minha alma quer
É morrer cantando o fado
Nos braços de uma mulher" **
Chegámos ao Convento do Beato às 16h, depois de algumas peripécias com o material. Desta vez éramos uma equipa ainda mais pequena, sem assistente de realização, sem director de fotografia e sem directora de som, respectivamente substituídos pelo Tiago (à câmara) e pela Diana (som), a única estreante nas andanças do documentário.
A sala estava convenientemente decorada para o jantar de gala do 28º encontro da ICANN e exibia um ambiente formal que não tem caracterizado as sequências filmadas até à data. Ainda assim, durante a tarde, estivemos completamente à vontade e começámos por filmar os testes de som dos guitarristas e contrabaixista que nos deliciaram com um 'Breakfast in America' dos Supertramp à guitarra portuguesa.
Depois, Camané subiu ao palco. Filmámos dois fados, gentilmente repetidos pelos músicos, enquanto equipas de homens transportavam cadeiras de um lado para o outro e distribuíam pães pelas mesas. A meio do soundcheck, olhámos para trás e apercebemo-nos que grande parte desses trabalhadores tinham estancado a ouvi-lo a cantar. E porque Camané foi um jogador ausente no dia 2 de Novembro devido a concertos em Espanha, seguiu-se uma pequena entrevista idêntica à que foi feita em campo aos vários jogadores.
Quisemos jantar cedo demais, eram só 18h30, e a cozinha do restaurante estava fechada. O dono do restaurante lá acabou por telefonar para a mãe apressando-a a ir abrir a cozinha. Abriu-se também o precedente e meia hora mais tarde já não éramos os únicos a jantar.
Voltámos ao convento do Beato por volta das 21h para preparar a filmagem da apresentação de Camané, que tinha início às 22h. Em palco, além de Camané, estavam José Manuel Neto na guitarra portuguesa, Carlos Manuel Proença na viola e Paulo Paz no contrabaixo. A apresentação foi curta e soube a pouco. O público, maioritariamente estrangeiro, era irrequieto e barulhento. Faltou o silêncio ao fado.
Acabou por correr tudo bem devido à boa vontade e disponibilidade de todos os envolvidos. Saímos do Beato satisfeitos e na viagem de carro, momentos depois de mencionarmos que tinha sido o primeiro dia sem chuva na rodagem do documentário, começou a chover.
MJM
JBV
** Excerto de Saudades Trago Comigo de António Calém/Popular (Fado Mouraria)



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